Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Florbela Espanca, Livro de Mágoas (1919)
Poesia, pensamentos, palavras soltas, de minha autoria e outros poetas de minha eleição. Creio que a poesia portuguesa é a melhor do mundo.Tem mais musicalidade e maior riqueza de palavras.Vamos ler português! Todos os poemas de minha autoria estão registados. Por tal facto estão reservados todos os direitos de autor.
quarta-feira, 28 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
...do mais leve sinal da minha mão...
Poema Melancólico
Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...
Miguel Torga, in 'Diário VII'
Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...
Miguel Torga, in 'Diário VII'
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
...abandonada e só ...Mais pobre e desprezada do que Job ...na via da amargura!...
Hora que Passa
Hora que Passa Vejo-me triste, abandonada e só
Bem como um cão sem dono e que o procura
Mais pobre e desprezada do que Job
A caminhar na via da amargura!
Judeu Errante que a ninguém faz dó!
Minh'alma triste, dolorida, escura,
Minh'alma sem amor é cinza, é pó,
Vaga roubada ao Mar da Desventura!
Que tragédia tão funda no meu peito!...
Quanta ilusão morrendo que esvoaça!
Quanto sonho a nascer e já desfeito!
Deus! Como é triste a hora quando morre...
O instante que foge, voa, e passa...
Fiozinho d'água triste... a vida corre...
Hora que Passa Vejo-me triste, abandonada e só
Bem como um cão sem dono e que o procura
Mais pobre e desprezada do que Job
A caminhar na via da amargura!
Judeu Errante que a ninguém faz dó!
Minh'alma triste, dolorida, escura,
Minh'alma sem amor é cinza, é pó,
Vaga roubada ao Mar da Desventura!
Que tragédia tão funda no meu peito!...
Quanta ilusão morrendo que esvoaça!
Quanto sonho a nascer e já desfeito!
Deus! Como é triste a hora quando morre...
O instante que foge, voa, e passa...
Fiozinho d'água triste... a vida corre...
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
...As minhas lágrimas de dor Porque eu te amo, além do amor!
Além do amor
Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for
Deixa-me chorar assim
Porque eu te amo
Dói a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lágrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!
Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for
Deixa-me chorar assim
Porque eu te amo
Dói a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lágrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
...o Amor que a fala esconde,....em beleza,... em doce enleio...
Soneto
Não pode Amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção falar concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.
Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer aos olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
não pode ser Amor com tal virtude.
Também eu das palavras me arreceio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.
E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza, em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.
Não pode Amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção falar concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.
Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer aos olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
não pode ser Amor com tal virtude.
Também eu das palavras me arreceio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.
E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza, em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
...Poisando em ti o meu amor eterno...Como poisam as folhas sobre os lagos…
O Nosso Mundo
Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu amor eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…
Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!
A vida, meu Amor, quer vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor?… As nossas bocas juntas!…
(Livro de Soror Saudade)
Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu amor eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…
Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!
A vida, meu Amor, quer vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor?… As nossas bocas juntas!…
(Livro de Soror Saudade)
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Divagando sobre o beijo...
O beijo é uma prova de fogo.
Teste à compatibilidade, encontro que dispensa explicações. Podemos beijar sem amor, mas nunca amar sem beijar.
Beijar é muito melhor que sexo. O beijo comprova uma fusão que nem a relação sexual, por si só, alcança. Ele é o verdadeiro teste à compatibilidade, ao entendimento entre duas pessoas. Se não funcionar, então nada mais resultará.
Pode sempre querer-se menos, prazeres menores, menos exigentes. Mas o beijo vem lá de dentro, sem rédeas, e ou atravessa o corpo, como quem diz “apanhei-te”, ou não ultrapassará nunca a primeira camada da pele.
Já se inventaram muitas formas de beijar. Cada cultura tem a sua, à imagem do seu próprio conceito de intimidade. O beijo romântico também mudou ao sabor dos costumes, hoje, menos regrados, menos censurados. O beijo é, agora, um abraço entre lábios, línguas e permite-se viajar livremente pelo corpo. Podemos, é verdade, beijar por inércia, sem amor, mas jamais poderemos amar sem um beijo. Ele é a peça, o motor, o princípio e o fim desse mistério. O sustento ou a falência da nossa capacidade de nos intersectarmos com um outro.
Nasceram nos contos de fadas, com príncipes e princesas encantadas. Histórias fáceis, com fórmulas e beijos mágicos. Beijos que acordam de
sonos eternos e que selam com garantias de felicidade duas belas criaturas, condenadas a serem sempre jovens, belas e muito pouco reais. Nós, gente comum, podemos, de facto, encontrarmo-nos num beijo, confirmarmo-nos nele e, ainda assim, perdê-lo por razões supostamente menores: medo, cobardia, vaidade, insegurança, ambição, etc. Ao contrário das histórias de encantar, o beijo que nos resgata pode habitar numa boca insuspeita.
Além disso, os contos de fadas nunca foram justos com o género feminino. Com ou sem beijo da salvação, elas têm de esperar 100 anos pelo seu príncipe, sempre belas e frescas, enquanto ele viaja, se diverte... Depois, inadvertidamente, sem que esteja à espera, lá está ela, linda, a dormir, pronta para ser beijada e salva. Como um azar nunca vem só, antes de ter caído em coma, a princesa foi empregada de limpeza e sempre ao serviço de madrastas cruéis (outro papel ingrato atribuído ao sexo feminino). O desempenho do príncipe chega a ser patético, de tão mínimo: beijar uma bela e adormecida princesa... Que dificuldade!
Mas na opinião de Maria da Graça Saraiva, advogada, de 35 anos, são eles, os homens reais, quem “dorme” e quem ainda acredita em contos. De facto, não há registo de príncipes que tenham perdido tempo a dormir. “Só mesmo estes, de cá, se dão ao luxo de o fazer”, graceja.
“Desconfio que há homens que acreditam ser sapos, daqueles que a certa altura foram enfeitiçados por uma bruxa má e que esperam pela ‘tal’, para desfazer o encanto. Suspeito que estão convencidos de que um dia ela virá, pelo seu próprio pé, e reconhecerá um homem muito capaz. Nesse dia serão os heróis da sua história.”
Os homens tomam a felicidade por adquirida. Alguns convencem-se mesmo que um dia serão salvos das suas próprias limitações, medos e inseguranças e que, por detrás do “Monstro”, a “Bela” não só verá o príncipe como cairá de amores por ele. Talvez seja ao contrário. Talvez ele carregue do lado de fora o seu melhor, aquilo que denuncia essa esperança, quase ingénua. Lá dentro adensam-se o comodismo e o jeito tosco de se dar. E o beijo que julga ser a salvação, talvez seja o da perdição. Os contos de fadas ignoram amores não correspondidos e finais como: ... e não ficaram juntos para sempre.
Maria da Graça rebate. “Não acredito em batráquios nem em princesinhas altruístas. Tenho fé, apenas, nos homens e nas mulheres de carne e osso, cujas virtudes suplantam os vícios e acredito no beijo, humano, real. Ele é a passagem para um mistério qualquer, onde duas pessoas são possíveis, juntas.
Quando mais nada parece fazer sentido, o beijo é um encontro que prescinde de explicação. O nosso corpo não nos mente, mesmo que rasteire o outro. O sentir não se sujeita a muitas justificações. Sente e ponto. É puro!”
Poetas, pintores e artistas em geral sabem disso. Captam o beijo e confirmam esse poder. Beijar é criar e desvendar um código único, uma linguagem que dispensa palavras e, ainda que se escrevam tratados e se teste em laboratório a sua química, tal só é compreendido ali, nos lábios, na pele.
“Nunca fiz amor com A. sem antes nos beijarmos preguiçosamente”, confessa Maria da Graça. “Aquilo é já fazer amor. Depois (e não vale a pena discorrer sobre a natureza do amor), aquele ritual espontâneo, testemunhado pelo corpo todo, é prova bastante de que um insondável capital de afectos e sensações se funde, num encaixe perfeito. É um verdadeiro mistério que recuso sujeitar ao escrutínio da razão.”
Em segundos, é possível apontar razões mais sensatas para partilhar a intimidade de um beijo.
A arte imortalizou e sustenta o gesto, sempre, ou quase sempre, no seu melhor. Mas outro, ultrajante, ficou na história, para lembrar que a traição também pode confirmar-se nos lábios. O beijo de Judas. Esta arquitectura engendrada pelo destino remete para a inevitabilidade do sacrifício, para a fatalidade.
Cristo, sendo o Messias, teria mesmo de morrer na cruz, caso contrário não haveria ressurreição nem a confirmação da sua obra. Alguém teria de traí-lo e, nesse caso, Judas só fez o que havia a fazer. Entre os discípulos, foi ele, como podia ser outro qualquer. Mas porquê um beijo? Não bastaria apontar o dedo?
O beijo está conotado com a ternura, amizade, desejo e amor. É um “olá”, um “estou aqui” ou um “adeus”. Assinala uma ligação e é, nas suas várias formas, o gesto que espelha a natureza de uma relação.
Condescendendo à lógica do destino, então o beijo de Judas fez sempre parte do plano e, de certa forma, foi a sua melhor contribuição: o gatilho que desencadeou o processo que culminou na glória. Ainda assim, a história registou a traição e associou-a ao beijo, para que tenhamos presente que a lealdade é coisa que escapa aos sentidos.
E, entre homens e mulheres, esse nunca é um valor adquirido. Apesar do amor, da amizade, intimidade ou confiança, todas as surpresas são possíveis. O beijo liga, mas não é um fundo de garantia.
Por isso, os contos de fadas acabam sempre onde a história realmente começa, no “beijaram-se, casaram e foram felizes para sempre”.
O casamento religioso é, ainda, o esquema mais aproximado às histórias de encantar. A união é também selada com um beijo e assumida como eterna.
Não sabemos o que aconteceu à Cinderela, coitada, sem electrodomésticos, a cuidar da casa e dos (muitos) filhos, enquanto o príncipe caçava com os amigos. Mas sabemos que, hoje, qualquer mulher, com acesso a empregada doméstica, tecnologia de ponta, a mais aperfeiçoada cosmética e muito menos filhos, duvida, com frequência, de finais felizes. Muitas vezes, o beijo é uma aposta perdida e uma falsa promessa de felicidade eterna. É... foi... um momento.
Maria da Graça irrompe: “ Quando, hoje, o corpo é embalado e prescrito com receitas, fórmulas detalhadas e manuais de instruções, com vista a performances e resultados ideais, eu rendo-me à glória de um beijo. E, no entanto, o beijo começa e encerra uma entrega feliz, quase sempre fruto do acaso...”
Que seja então, pois enquanto o homo sapiens vive obcecado pela compreensão absoluta de tudo e pelo controlo, o toque dos lábios prova ainda que, felizmente, não somos apenas a orgulhosa espécie racional. Basta um beijo e...
http://sub.maxima.xl.pt/1103/intimidade/a03-00-00.shtml
Teste à compatibilidade, encontro que dispensa explicações. Podemos beijar sem amor, mas nunca amar sem beijar.
Beijar é muito melhor que sexo. O beijo comprova uma fusão que nem a relação sexual, por si só, alcança. Ele é o verdadeiro teste à compatibilidade, ao entendimento entre duas pessoas. Se não funcionar, então nada mais resultará.
Pode sempre querer-se menos, prazeres menores, menos exigentes. Mas o beijo vem lá de dentro, sem rédeas, e ou atravessa o corpo, como quem diz “apanhei-te”, ou não ultrapassará nunca a primeira camada da pele.
Já se inventaram muitas formas de beijar. Cada cultura tem a sua, à imagem do seu próprio conceito de intimidade. O beijo romântico também mudou ao sabor dos costumes, hoje, menos regrados, menos censurados. O beijo é, agora, um abraço entre lábios, línguas e permite-se viajar livremente pelo corpo. Podemos, é verdade, beijar por inércia, sem amor, mas jamais poderemos amar sem um beijo. Ele é a peça, o motor, o princípio e o fim desse mistério. O sustento ou a falência da nossa capacidade de nos intersectarmos com um outro.
Nasceram nos contos de fadas, com príncipes e princesas encantadas. Histórias fáceis, com fórmulas e beijos mágicos. Beijos que acordam de
sonos eternos e que selam com garantias de felicidade duas belas criaturas, condenadas a serem sempre jovens, belas e muito pouco reais. Nós, gente comum, podemos, de facto, encontrarmo-nos num beijo, confirmarmo-nos nele e, ainda assim, perdê-lo por razões supostamente menores: medo, cobardia, vaidade, insegurança, ambição, etc. Ao contrário das histórias de encantar, o beijo que nos resgata pode habitar numa boca insuspeita.
Além disso, os contos de fadas nunca foram justos com o género feminino. Com ou sem beijo da salvação, elas têm de esperar 100 anos pelo seu príncipe, sempre belas e frescas, enquanto ele viaja, se diverte... Depois, inadvertidamente, sem que esteja à espera, lá está ela, linda, a dormir, pronta para ser beijada e salva. Como um azar nunca vem só, antes de ter caído em coma, a princesa foi empregada de limpeza e sempre ao serviço de madrastas cruéis (outro papel ingrato atribuído ao sexo feminino). O desempenho do príncipe chega a ser patético, de tão mínimo: beijar uma bela e adormecida princesa... Que dificuldade!
Mas na opinião de Maria da Graça Saraiva, advogada, de 35 anos, são eles, os homens reais, quem “dorme” e quem ainda acredita em contos. De facto, não há registo de príncipes que tenham perdido tempo a dormir. “Só mesmo estes, de cá, se dão ao luxo de o fazer”, graceja.
“Desconfio que há homens que acreditam ser sapos, daqueles que a certa altura foram enfeitiçados por uma bruxa má e que esperam pela ‘tal’, para desfazer o encanto. Suspeito que estão convencidos de que um dia ela virá, pelo seu próprio pé, e reconhecerá um homem muito capaz. Nesse dia serão os heróis da sua história.”
Os homens tomam a felicidade por adquirida. Alguns convencem-se mesmo que um dia serão salvos das suas próprias limitações, medos e inseguranças e que, por detrás do “Monstro”, a “Bela” não só verá o príncipe como cairá de amores por ele. Talvez seja ao contrário. Talvez ele carregue do lado de fora o seu melhor, aquilo que denuncia essa esperança, quase ingénua. Lá dentro adensam-se o comodismo e o jeito tosco de se dar. E o beijo que julga ser a salvação, talvez seja o da perdição. Os contos de fadas ignoram amores não correspondidos e finais como: ... e não ficaram juntos para sempre.
Maria da Graça rebate. “Não acredito em batráquios nem em princesinhas altruístas. Tenho fé, apenas, nos homens e nas mulheres de carne e osso, cujas virtudes suplantam os vícios e acredito no beijo, humano, real. Ele é a passagem para um mistério qualquer, onde duas pessoas são possíveis, juntas.
Quando mais nada parece fazer sentido, o beijo é um encontro que prescinde de explicação. O nosso corpo não nos mente, mesmo que rasteire o outro. O sentir não se sujeita a muitas justificações. Sente e ponto. É puro!”
Poetas, pintores e artistas em geral sabem disso. Captam o beijo e confirmam esse poder. Beijar é criar e desvendar um código único, uma linguagem que dispensa palavras e, ainda que se escrevam tratados e se teste em laboratório a sua química, tal só é compreendido ali, nos lábios, na pele.
“Nunca fiz amor com A. sem antes nos beijarmos preguiçosamente”, confessa Maria da Graça. “Aquilo é já fazer amor. Depois (e não vale a pena discorrer sobre a natureza do amor), aquele ritual espontâneo, testemunhado pelo corpo todo, é prova bastante de que um insondável capital de afectos e sensações se funde, num encaixe perfeito. É um verdadeiro mistério que recuso sujeitar ao escrutínio da razão.”
Em segundos, é possível apontar razões mais sensatas para partilhar a intimidade de um beijo.
A arte imortalizou e sustenta o gesto, sempre, ou quase sempre, no seu melhor. Mas outro, ultrajante, ficou na história, para lembrar que a traição também pode confirmar-se nos lábios. O beijo de Judas. Esta arquitectura engendrada pelo destino remete para a inevitabilidade do sacrifício, para a fatalidade.
Cristo, sendo o Messias, teria mesmo de morrer na cruz, caso contrário não haveria ressurreição nem a confirmação da sua obra. Alguém teria de traí-lo e, nesse caso, Judas só fez o que havia a fazer. Entre os discípulos, foi ele, como podia ser outro qualquer. Mas porquê um beijo? Não bastaria apontar o dedo?
O beijo está conotado com a ternura, amizade, desejo e amor. É um “olá”, um “estou aqui” ou um “adeus”. Assinala uma ligação e é, nas suas várias formas, o gesto que espelha a natureza de uma relação.
Condescendendo à lógica do destino, então o beijo de Judas fez sempre parte do plano e, de certa forma, foi a sua melhor contribuição: o gatilho que desencadeou o processo que culminou na glória. Ainda assim, a história registou a traição e associou-a ao beijo, para que tenhamos presente que a lealdade é coisa que escapa aos sentidos.
E, entre homens e mulheres, esse nunca é um valor adquirido. Apesar do amor, da amizade, intimidade ou confiança, todas as surpresas são possíveis. O beijo liga, mas não é um fundo de garantia.
Por isso, os contos de fadas acabam sempre onde a história realmente começa, no “beijaram-se, casaram e foram felizes para sempre”.
O casamento religioso é, ainda, o esquema mais aproximado às histórias de encantar. A união é também selada com um beijo e assumida como eterna.
Não sabemos o que aconteceu à Cinderela, coitada, sem electrodomésticos, a cuidar da casa e dos (muitos) filhos, enquanto o príncipe caçava com os amigos. Mas sabemos que, hoje, qualquer mulher, com acesso a empregada doméstica, tecnologia de ponta, a mais aperfeiçoada cosmética e muito menos filhos, duvida, com frequência, de finais felizes. Muitas vezes, o beijo é uma aposta perdida e uma falsa promessa de felicidade eterna. É... foi... um momento.
Maria da Graça irrompe: “ Quando, hoje, o corpo é embalado e prescrito com receitas, fórmulas detalhadas e manuais de instruções, com vista a performances e resultados ideais, eu rendo-me à glória de um beijo. E, no entanto, o beijo começa e encerra uma entrega feliz, quase sempre fruto do acaso...”
Que seja então, pois enquanto o homo sapiens vive obcecado pela compreensão absoluta de tudo e pelo controlo, o toque dos lábios prova ainda que, felizmente, não somos apenas a orgulhosa espécie racional. Basta um beijo e...
http://sub.maxima.xl.pt/1103/intimidade/a03-00-00.shtml
....as mãos com nós em cada dedo....
Se pelo menos para mim olhasses
outra vez com a tua forma de cor diferente.
Se outra vez!, mais um vez...
me desses as mãos com nós em cada dedo.
Se meu amor me untasses o corpo com óleo
do teu amor depois de um banho quente...
Se meu amor me amasses por ti e por mim
antes de me despedir deste corpo da caneta para o papel.
A verdade meu amor, é que o frio que sinto
é a ausencia do teu olhar
quando as tuas mãos
não me estão ligadas e
como não
as encontro
a tinta não sente
o calor que sai dos meus lábios entreabertos.
São variações de temperaturas
que a caneta procura suster
entre o teu olhar e amor
e o frio ligado ao corpo.
outra vez com a tua forma de cor diferente.
Se outra vez!, mais um vez...
me desses as mãos com nós em cada dedo.
Se meu amor me untasses o corpo com óleo
do teu amor depois de um banho quente...
Se meu amor me amasses por ti e por mim
antes de me despedir deste corpo da caneta para o papel.
A verdade meu amor, é que o frio que sinto
é a ausencia do teu olhar
quando as tuas mãos
não me estão ligadas e
como não
as encontro
a tinta não sente
o calor que sai dos meus lábios entreabertos.
São variações de temperaturas
que a caneta procura suster
entre o teu olhar e amor
e o frio ligado ao corpo.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
...só porque foi, e voou e hoje já é outro dia.
EU AMO TUDO O QUE FOI
Eu amo tudo o que foi
tudo o que já não é
o amor que já não me dói
a antiga e errónia fé
o ontem que dor deixou
o que deixou alegria
só porque foi, e voou
e hoje já é outro dia.
Eu amo tudo o que foi
tudo o que já não é
o amor que já não me dói
a antiga e errónia fé
o ontem que dor deixou
o que deixou alegria
só porque foi, e voou
e hoje já é outro dia.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Pensamentos
Todo homem é poeta quando está apaixonado.
Platão
De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência.
Millôr Fernandes
A castidade é a mais anormal das perversões sexuais.
Aldous Huxley
A vontade se superar um afecto não é, em última análise, senão vontade de um outro ou de vários outros afectos.
Friedrich Nietzsche
Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te.
Friedrich Nietzsche
Torna-te aquilo que és.
Friedrich Nietzsche
Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem.
Friedrich Nietzsche
Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.
Friedrich Nietzsche
É difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil.
Friedrich Nietzsche
Platão
De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência.
Millôr Fernandes
A castidade é a mais anormal das perversões sexuais.
Aldous Huxley
A vontade se superar um afecto não é, em última análise, senão vontade de um outro ou de vários outros afectos.
Friedrich Nietzsche
Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te.
Friedrich Nietzsche
Torna-te aquilo que és.
Friedrich Nietzsche
Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem.
Friedrich Nietzsche
Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.
Friedrich Nietzsche
É difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil.
Friedrich Nietzsche
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
...querer-te assim na minha fantasia...
UM OUTRO TANTO
Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia
é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
poder amar-te ainda
um outro tanto
Não sei como consigo
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia
é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia
perseguir a paixão até ao fim é pouco
exijo tudo até perder-me
enquanto, e de um jeito tal que desconhecia
poder amar-te ainda
um outro tanto
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Abandono...
«Todos procuramos a liberdade e ela é felicidade...
A liberdade na solidão só existe para os egoístas
que não têm a capacidade de amar essa liberdade na partilha.»
Minha autoria
"Se os outros me abandonam é porque devo estar a aproximar-me do essencial."
Brito , Casimiro
"Abandonando nobremente quem nos deixa, colocamo-nos acima de quem perdemos."
Stael , (Madame de)
A mulher desculpa tudo à excepção de uma coisa; que a abandonemos.
Os ventos que as vezes tiram
algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar
pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi
dado.Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai
para sempre...
A liberdade na solidão só existe para os egoístas
que não têm a capacidade de amar essa liberdade na partilha.»
Minha autoria
"Se os outros me abandonam é porque devo estar a aproximar-me do essencial."
Brito , Casimiro
"Abandonando nobremente quem nos deixa, colocamo-nos acima de quem perdemos."
Stael , (Madame de)
A mulher desculpa tudo à excepção de uma coisa; que a abandonemos.
Os ventos que as vezes tiram
algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar
pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi
dado.Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai
para sempre...
sábado, 7 de janeiro de 2012
...pelas ruas, como louca...Obrigado, obrigado!
CANÇÃO GRATA
Por tudo o que me deste: — Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? E certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como louca...
Obrigado, obrigado!
Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!
Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
— Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: — Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!
Por tudo o que me deste: — Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? E certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como louca...
Obrigado, obrigado!
Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!
Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
— Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: — Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!
...ou qual é a hora, de qual dia...
Pequeno poema singelo
Uma simples história. eu quero.
Daquelas quase sem enredo,
que não peça bravura, ou medo,
que tenha de inicio o zero.
Quero pouco, paz na empatia
e nada marcado em agenda.
Sem placa de compra ou venda,
ou qual é a hora, de qual dia...
É certo ser contrassenso:
Ser um luxo e ser tão raro,
querer menos, sem cobrar caro.
Algo intenso, que não chame imenso...
Não. Não quero conquistar,
ponderar se transitória...
Não quero a alegria da vitoria
mas, a gloria de não ter que ganhar.
Uma simples história. eu quero.
Daquelas quase sem enredo,
que não peça bravura, ou medo,
que tenha de inicio o zero.
Quero pouco, paz na empatia
e nada marcado em agenda.
Sem placa de compra ou venda,
ou qual é a hora, de qual dia...
É certo ser contrassenso:
Ser um luxo e ser tão raro,
querer menos, sem cobrar caro.
Algo intenso, que não chame imenso...
Não. Não quero conquistar,
ponderar se transitória...
Não quero a alegria da vitoria
mas, a gloria de não ter que ganhar.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
...Não sei para onde vou..Sei que não vou por aí!

Cântico negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Pensamentos de Paulo Coelho
"Um guerreiro não se deixa assustar quando busca o que precisa. Sem amor, ele não é nada. "
"O amor jamais morre de morte natural; geralmente morre de sede porque nos esquecemos da fonte."
“As tarefas diárias jamais impediram alguém de seguir seus sonhos."
“A fé é uma conquista difícil, que exige combates diários para ser mantida.”
“A maior mentira do mundo: em determinado momento de nossa existência, perdemos o controle de nossas vidas, e ela passa a ser governada pelo destino."
Muitas pessoas se fascinam pelos detalhes e esquecem o que procuram."
“Não adianta querer agradar todo mundo. Só os medíocres conseguem isso e mesmo assim à custa de muito sacrifício pessoal."
"O amor jamais morre de morte natural; geralmente morre de sede porque nos esquecemos da fonte."
“As tarefas diárias jamais impediram alguém de seguir seus sonhos."
“A fé é uma conquista difícil, que exige combates diários para ser mantida.”
“A maior mentira do mundo: em determinado momento de nossa existência, perdemos o controle de nossas vidas, e ela passa a ser governada pelo destino."
Muitas pessoas se fascinam pelos detalhes e esquecem o que procuram."
“Não adianta querer agradar todo mundo. Só os medíocres conseguem isso e mesmo assim à custa de muito sacrifício pessoal."
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Amo-te...com grande liberdade...Dentro da eternidade e a cada instante...

Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
...entre os seios me apertes sem receio. ...

AMOR FISICO
Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua..., — unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... — abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
José Régio, in “Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Eugénio de Andrade”
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
...abandonada noite onde o fogo se instalou...

........................................
Há sempre uma noite terrível para quem se despede
do esquecimento. Para quem sai,
ainda louco de sono, do meio
do silêncio. Uma noite
ingénua para quem canta.
Deslocada e abandonada noite onde o fogo se instalou
que varre as pedras da cabeça.
Que mexe na língua a cinza desprendida.
lugar II (excerto)
........................................
Penso que deve existir para cada um
uma só palavra que a inspiração dos povos deixasse
virgem de sentido e que,
vinda de um ponto fogoso da treva, batesse
como um raio
nos telhados de uma vida, e o céu
com águas e astros
caísse sobre esse rosto dormente, essa fechada
exaltação.
Que palavra seria, ignoro. O nome talvez
de um instrumento antigo, um nome ligado
à morte – veneno, punhal, rio
bárbaro onde
os afogados aparecem cegamente abraçados a enormes
luas impassíveis.
Um abstracto nome de mulher ou pássaro.
Quem sabe? – Espelho, Cotovia, ou a desconhecida
palavra Amor.
(“Poema”, III, A Colher na Boca [1960], Poesia Toda: 30- 32)
..................................................
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
...teu abraço estará no meu...

Amar é fazer valer a pena talvez um tempo em que parecerá tarde demais, então buscar-te-ei num dicionário de palavras proibidas, num livro de vocábulos nunca ditos, numa biblioteca de sensações inéditas.
Tempo haverá em que não precisaremos de mais tempo para nos entendermos. Desprezaremos os idiomas. Não se tratará de aprender tua língua, apreenderei tua língua nos meus lábios, e tuas mãos estarão nas minhas, teu abraço estará no meu. Confundirei o meu e o teu numa palavra.
Nosso mundo será livre quando libertarmos nossas palavras, nossos corações serão livres quanto liberto também estiver nosso silêncio.
Chegará um tempo em que só nos restará ir além. Só nos restará fazer valer a pena.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
...Essa felicidade que supomos,árvore milagrosa...

ESPERANÇA
Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada:
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa, que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim : mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
...dever de sonhar, de sonhar sempre,...

Dever de Sonhar
Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.
..................................................................
Eu sei que não sou nada e que talvez nunca tenha tudo.
Aparte isso, eu tenho em mim todos os sonhos do mundo.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Meu amor minha alegria...gaivotas bailam no horizonte...

MEU AMOR, MINHA ALEGRIA
O sol laranja se esconde no mar,
gaivotas bailam no horizonte,
mas não há nada que confronte,
a beleza desse teu doce olhar.
Em nossa mente uma canção diz,
palavras repletas de emoção,
é chegada a hora de ser feliz,
sentir pulsar no peito o coração.
Meu amor é sonho de alegria,
é encanto de almas dispostas,
a redescobrir em todos os dias,
o meio entre duas vidas opostas,
construindo assim a harmonia,
em camadas assim sobrepostas.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
..meu amor..

Porque te quero assim tanto meu amor
Se te perder, que há-de ser de mim
Meu bem maior, minha vida, meu sabor
Ninguém no mundo te amará tanto assim!
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Pensamentos
As cadeias do hábito são, em geral, pouco sólidas para serem sentidas, até que se tornem fortes demais para serem partidas."
( Samuel Johnson )
"O passado existe quando se está infeliz."
( Louise Levêque Vilmorin )
"Guarda o passado, se não tens já futuro. Porque se também o perderes, o presente que te restar é o da pia, que não tem tempo algum."
( Vergílio António Ferreira )
"Um ato de confiança dá paz e serenidade."
( Fiodor Dostoievski )
"O otimismo é a fé que leva à realização. Nada pode ser feito sem esperança ou confiança."
( Helen Keller )
"Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia."
( Carlos Drummond de Andrade )
"Os amantes apenas vêem os defeitos das amadas quando o seu encantamento acaba."
( François de La Rochefoucauld )
( Samuel Johnson )
"O passado existe quando se está infeliz."
( Louise Levêque Vilmorin )
"Guarda o passado, se não tens já futuro. Porque se também o perderes, o presente que te restar é o da pia, que não tem tempo algum."
( Vergílio António Ferreira )
"Um ato de confiança dá paz e serenidade."
( Fiodor Dostoievski )
"O otimismo é a fé que leva à realização. Nada pode ser feito sem esperança ou confiança."
( Helen Keller )
"Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia."
( Carlos Drummond de Andrade )
"Os amantes apenas vêem os defeitos das amadas quando o seu encantamento acaba."
( François de La Rochefoucauld )
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
...Que a vida que a gente tem É a que tem que pensar.

Tenho tanto sentimento
Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem de pensar.
Pensamentos
Dever de Sonhar
Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.
Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar com o que eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
"Segue o teu destino...
Rega as tuas plantas;
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
de árvores alheias"
Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.
Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar com o que eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
"Segue o teu destino...
Rega as tuas plantas;
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
de árvores alheias"
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
...desse beijo tão perdido...

LETRA PARA FADO
Beijo da saudade
Trago a saudade comigo
dentro do meu coração
desse beijo tão perdido
perfeito novo inimigo
sabor doutra condição
Não quero mais este pranto
do gosto dos lábios teus
pois era doutra o encanto
e eu era outra portanto
morrendo por beijos teus
Meu amor, hó minha vida
se a fantasia acabou
ando num barco perdida
és minha chama inimiga
que este meu amor queimou
Já não, já não quero mais
trazer comigo a saudade
porque são espadas brutais
lancinantes são punhais
que matam minha vontade
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
...ave solta de brandura.....ser meu corpo sua chama..

AI SE EU PUDESSE ESCOLHER UM AMOR ASSIM
Ai se eu pudesse
escolher um amor assim
ave solta de brandura
perfeita paz de cetim
fosse eu, nova frescura
sua taça de marfim
Ai se eu pudesse
escolher um amor assim
fosse eu, nova primavera
com doce olor de jasmim
restava meu rosto à espera
como lirio de jardim
Ai se eu pudesse
escolher um amor assim
ser meu corpo sua chama
meus lábios o seu festim
meu leito a sua cama
só tivesse olhos p'ra mim
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Decepções...

FRASES DE DECEPÇÂO
Ilusões, mentiras e decepções. A dor de um coração partido, seus pedaços caem sobre o chão de lágrimas de um amor perdido, um amor que não merece ser sentido.
Natália Sugawara
As decepções não são motivos para rejeitar o amor.Muito pelo o contrário,elas são a prova de que, sempre é hora de recomeçar.
Sarah Ismênia Saruth
sábado, 12 de novembro de 2011
...o amor...

MEU AMOR,
Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga, além de que te amo,
se o que quero dizer-te é que te amo?"
Se perder um amor... não se perca!
Se o achar... segure-o!
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais... é nada."
...
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência, não pensar...
sábado, 29 de outubro de 2011
...ansias saciadas...teus desejos...

Querer-te tanto assim quanto quero amor
é dor que aumenta a cada instante
apesar de saber-te tão distante
magoa mais a triste sina deste ardor
A quem dás os teus gemidos de prazer
as ansias saciadas...teus desejos
perdes-te nos lábios... em que beijos?
Seca minha boca..sem viver!
.................
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
...Se olhares o horizonte e nada vislumbrares...

MEU AMOR
Só tu existes
Se olhares o céu e não vires o sol
é porque se envergonhou pela superioridade do calor
e do sorriso que tens
Se olhares o céu e não vires as estrelas
é porque se envergonharam pela superioridade da luz
e do brilho que emanas
Se fores ao mais belo jardim e não vires uma flor
foi ele que se envergonhou pela superioridade da beleza
e do olor que exalas
Se quiseres comtemplar o mar e ele não estiver
foi ele que se envergonhou pela superioridade das águas
das lágrimas da minha felicidade
Se olhares o horizonte e nada vislumbrares
é porque se envergonhou pela superioridade que tens
e tão somente,
porque só tu existes!
terça-feira, 27 de setembro de 2011
...Podem voar mundos....tu és como Deus: Princípio e Fim!.

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
«Tudo no mundo é frágil, tudo passa...»
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
«Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!.
Luís, Dedico-te este poema com todo o meu amor,porque és e sempre serás para sempre o amor da minha vida.
sábado, 24 de setembro de 2011
...luz que dá na cor, É uma cor que dá na vida...o amor..

DEFINIÇÃO DO AMOR
"Amor é fogo que arde sem se ver
é ferida que dói e não se sente
é um contentamento descontente
é dor que desatina sem doer"
Que o poeta de todos os poetas
me conceda boa estrela
que a estrela de todos os astros
me premeie na lapela
prémios de honor
prefiro os muitos
oferecidos pelas mãos do amor
coroando o amor e seus heterónimos
nem vão caber nos Jerónimos
Amores anónimos não há
e assim foi pela madrugada
mesmo que seja um "assim fosse"
vou nomear-te namorada
ninguém já soube o que é o amor
se o amor é aquilo que ninguém viu
uma cor que fugiu
de um pano leve
e pairou serena e breve
no ar
(Pousa agora, borboleta
na pena deste poeta:)
É uma cor que dá na vida
o amor
é uma luz que dá na cor
É uma cor que dá na vida
o amor
é uma luz que dá na cor
mas é uma batalha perdida
que se trava com ardor
é uma cor que dá na vida
o amor
dor que desatina sem doer
Se devagar se vai ao longe
devagar te quero perto
mesmo que o que arde nunca cure
vou beijar-te a sol aberto
é já dos livros que o instante
se parece tanto com a eternidade
e que o amor, na verdade
só se cansa de ti
se de ti mesmo te cansas
Mordidas mansas, emoções
suspiros densos, afagares
liberto das definições
o amor define os seus lugares
ilhas desertas até ver
ver o sol, a chuva
o arco do corpo
arco-íris, corpo a corpo
cara a cara, cor a cor
incandescendo o olhar
(Pousa agora, borboleta
na pena deste poeta:)
É uma cor que dá na vida
o amor...
E ao pôr o dedo nas feridas
que supúnhamos curadas
provas de fogo atravessamos
no mar alto festejadas
não se controla o inesperado
nem se diz o indizível do amor
uma cor que fugiu
de um pano leve
e pairou serena e breve
no ar
(Pousa agora, borboleta
na pena deste poeta:)
É uma cor que dá na vida
o amor...
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
..desprezo...sem compaixão..

DESPREZO
Percebes o quão rudes são os versos
Que outrora abrilhantaram com exatidão
Caminhos tortuosos e inversos
Banindo suntuosos, a sofreguidão?
Oras, pois, que os tons destes verbos
Açoites dispersos da inexatidão
Provém de sentimentos incertos
Vis, cruéis e sem compaixão
Então, segues teu caminho,
Que te vem enquanto troça
Perseguido em desatinos,
Por esta dor, tão sem resposta
.......................
Desprezo
Alguém já te deu as costas?
Sim. Isto acontece-nos todos os dias.
Porém, quando este alguém que nos despreza,
É aquela pessoa que gostamos tanto,
Ai! Dói muito.
O desprezo frusta-nos,
Qualquer expectativa,
E o sofrimento é terrível.
Não sei até quando,
Eu vou amar sozinha.......
..............
sábado, 27 de agosto de 2011
...Quando é amar que deves. Se não amas, ...
AMO COMO O AMOR AMA
Amo como o amor ama.
Não sei razão pra amar-te mais que amar-te.
Que queres que te diga mais que te amo,
Se o que quero dizer-te é que te amo?
..............................................................
Quando te falo, dói-me que respondas
Ao que te digo e não ao meu amor.
..............................................................
Ah! não perguntes nada; antes me fala
De tal maneira, que, se eu fora surda,
Te ouvisse todo com o coração.
Se te vejo não sei quem sou: eu amo.
Se me faltas [...]
... Mas tu fazes, amor, por me faltares
Mesmo estando comigo, pois perguntas —
Quando é amar que deves. Se não amas,
Mostra-te indiferente, ou não me queiras,
Mas tu és como nunca ninguém foi,
Pois procuras o amor pra não amar,
E, se me buscas, é como se eu só fosse
Alguém pra te falar de quem tu amas.
.............................................................
Quando te vi amei-te já muito antes
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci pra ti antes de haver o mundo.
Não há cousa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro.
.............................................................
(Excerto do poema)
...com a luz e a fé dum crente....
CINISMOS
Eu hei-de lhe falar lugubremente
Do meu amor enorme e massacrado,
Falar-lhe com a luz e a fé dum crente.
Hei-de expor-lhe o meu peito descarnado,
Chamar-lhe minha cruz e meu Calvário,
E ser menos que um Judas empalhado.
Hei-de abrir-lhe o meu íntimo sacrário
E, desvendar a vida, o mundo, o gozo,
Como um velho filósofo lendário.
Hei-de mostrar, tão triste e tenebroso,
Os pegos abismais da minha vida,
E hei-de olhá-la dum modo tão nervoso,
Que ela há-de, enfim, sentir-se constrangida,
Cheia de dor, tremente, alucinada,
E há-de chorar, chorar enternecida!
E eu hei-de, entáo, soltar uma risada...
sexta-feira, 15 de julho de 2011
...Beija-me as mãos...Os beijos que sonhei pra minha boca!

Amiga
Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor
A mais triste de todas as mulheres.
Que só, de ti, me venha magoa e dor
O que me importa a mim? O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!
Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascessemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...
Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!
quinta-feira, 14 de julho de 2011
...à procura de casa onde se aqueça...

Respira. O oxigénio espera da tua esfera
Respira. O oxigénio espera da tua esfera
de cor... o teu afago a tudo.
O oxigénio é meigo. Ele às vezes consegue
sair das folhas verdes sem ruído no escuro.
Como um ladrão que rouba o próprio sangue
e o leva ao inimigo... assim ele anda
à procura de casa onde se aqueça
vendo que em pedra e telha a traz consigo
Respira.O oxigénio espera o teu relógio
de luz ...o teu sorriso claro.
O oxigénio é meigo. Ele às vezes constrói
Uma impossível casa à beira do teu lábio
terça-feira, 31 de maio de 2011
Deixa que feche o anel em redor do teu pescoço...

SEGREDO
Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche
o anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
(Para ti Luís com todo o meu amor )
sexta-feira, 27 de maio de 2011
...no obscuro desejo, ...

no obscuro desejo,
no incerto silêncio,
nos vagares repetidos,
na súbita canção
que nasce como a sombra
do dia agonizante,
quando empalidece
o exterior das coisas,
e quando não se sabe
se por dentro adormecem
ou vacilam, e quando
se prefere não chegar
a sabê-lo, a não ser,
pressentindo-as, ainda
um momento, na aresta
indizível do lusco-fusco.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Solta-se um beijo..solta-se a alma gigante.. pensamento errante...

Solta-se um beijo
solta-se a alma gigante
pensamento errante
sonho de sabores...
Da tua boca...
Que se perde na lua imensa de solidão...
Solta-se um beijo
solta-se um suspiro
a angústia do teu silêncio
a despedida adiada
a desmesurada espera do sim
para mim...
Do beijo que se solta..
Sem beijar
..Perdido no cais
da minha boca
que espera o beijo
que afinal
não me beija!
terça-feira, 3 de maio de 2011
..Imagina-te como uma criança...Grita corre salta ri...

PÁRA UM POUCO PARA PENSAR
Pára um pouco para pensar
Imagina-te como uma criança
Sã inocente e sonhadora
Fecha os olhos
E vê como o mundo é belo
Apesar de suas crueldades
Age como essa criança
Que ignorando
Problemas ou dificuldades
Ultrapassando obstáculos
Tudo faz para vencer
Que sem medos
Ou desconfianças
Em todos vê aliados
Para conseguir
Aquilo que quer
E sempre que algo quer
Pede luta pede
E pede e luta e pede
Até que consegue
Grita corre salta ri
Parte para a descoberta
Não perde uma oportunidade
Está sempre a aprender
E com esse desejo ardente
De tudo conhecer
Tudo pergunta
Para tudo saber
É assim a criança
Que ainda não conhece
A palavra dar
E dá
Que ainda não conhece
A palavra perdoar
E perdoa
Que ainda não conhece
A palavra amar
E ama
E desconhece a palavra
Convicção
Mas age com convicção
E desconhece a palavra
Entusiasmo
Mas age com entusiasmo
E desconhece a palavra
Persistência
Mas age com persistência
E desconhece a palavra
Desistir
Mas nunca desiste
Imagina-te como essa criança
Pára um pouco para pensar
sábado, 26 de março de 2011
...Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,...

Diz-me, Amor, como Te Sou Querida
Dize-me, amor, como te sou querida,
Conta-me a glória do teu sonho eleito,
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,
Arranca-me dos pântanos da vida.
Embriagada numa estranha lida,
Trago nas mãos o coração desfeito,
Mostra-me a luz, ensina-me o preceito
Que me salve e levante redimida!
Nesta negra cisterna em que me afundo,
Sem quimeras, sem crenças, sem turnura,
Agonia sem fé dum moribundo,
Grito o teu nome numa sede estranha,
Como se fosse, amor, toda a frescura
Das cristalinas águas da montanha!
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
...A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo...

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.
sábado, 12 de março de 2011
...Deus costuma usar a solidão...usa a morte, quando quer mostrar a importância da vida...

Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer mostrar-nos a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer mostrar-nos a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer mostrar-nos a importância da vida.
Deixo aqui com este poema os meus sinceros pêsames à familia e amigos do antigo bandarilheiro e apoderado de Luís Rouxinol ,
Exmo Sr. Mário Freire que partiu para outra dimensão.
...Faz os teus braços fechar-me as asas ...

DÁ-ME LUME
Chegaste com três vinténs
E o ar de quem não tem
Muito mais a perder
O vinho não era bom
A banda não tinha som
Mas tu fizeste a noite apetecer
Mandaste a minha solidão embora
Iluminaste o pavilhão da aurora
Com o teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar
Eu fiquei louco por ti
Logo rejuvenesci
Não podia falhar
Dispondo a meu favor
Da eloquência do amor
Ali mesmo á mão de semear
Mostrei-te a origem do bem e do reverso
Provei-te que o que conta no universo
É esse passo inseguro e o paraíso no teu olhar
Dá-me lume, dá-me lume
Deixa o teu fogo envolver-se até a música acabar
Dá-me lume, não deixes o frio entrar
Faz os teus braços fechar-me as asas há tanto tempo a acenar
Eu tinha o espirito aberto
Ás vezes andei perto
Da essência do amor
Porém no meio dos colchões
No meio dos trambolhões
A situação era cada vez pior
Tu despertaste em mim um ser mais leve
E eu sei que essencialmente isso se deve
A esse passo inseguro e ao paraíso no teu olhar
Se eu fosse compositor
Compunha em teu louvor
Um hino triunfal
Se eu fosse critico de arte
Havia de declarar-te
Obra prima á escala mundial
Mas não passo de um homem vulgar
Que tem a sorte de saborear
Esse teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar
sexta-feira, 11 de março de 2011
...Enredada estou de mim ...neste vício de enredar...

POEMA SOBRE O ENREDO
Enredada estou de mim
nesta febre em que me vejo
já que enredada de ti
não se cura o meu desejo
que nem me pus de curar
este fogo do teu corpo
nem me pus de enganar
esta sede que provoco
pois logo desenredada
eu sei que me enredaria
neste vício de enredar
o meu espasmo em teu orgasmo
por sua vez enredado na branda rede dos dias
sábado, 26 de fevereiro de 2011
...Não contes ...
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
...podes dar mais uma asa a quem tem sede de voar ...

Um Pouco Mais de Nós
Podes dar uma centelha de lua,
um colar de pétalas breves
ou um farrapo de nuvem;
podes dar mais uma asa
a quem tem sede de voar
ou apenas o tesouro sem preço
do teu tempo em qualquer lugar;
podes dar o que és e o que sentes
sem que te perguntem
nome, sexo ou endereço;
podes dar em suma, com emoção,
tudo aquilo que, em silêncio,
te segreda o coração;
podes dar a rima sem rima
de uma música só tua
a quem sofre a miséria dos dias
na noite sem tecto de uma rua;
podes juntar o diamante da dádiva
ao húmus de uma crença forte e antiga,
sob a forma de poema ou de cantiga;
podes ser o livro, o sonho, o ponteiro
do relógio da vida sem atraso,
e sendo tudo isso serás ainda mais,
anónimo, pleno e livre,
nau sempre aparelhada para deixar o cais,
porque o que conta, vendo bem,
é dar sempre um pouco mais,
sem factura, sem fama, sem horário,
que a máxima recompensa de quem dá
é o júbilo de um gesto voluntário.
E, afinal, tudo isso quanto vale ?
Vale o nada que é tudo
sempre que damos de nós
o que, sendo acto amor, ganha voz
e se torna eterno por ser único e total.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
lindos versos raros...eu não tos digo ainda...

Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
...Sem ele sou apenas uma pedra fria!...

SEM O TEU AMOR EU MORRO
Tirem-me a carruagem de fogo;
As pratas que trago nos cabelos...
Ceguem meus olhos e os espelhos;
Mas não me tirem o meu amor,
Pois sem ele não nasce o dia:
Sem ele sou apenas uma pedra fria!
Tirem-me a graça e todo o colorido;
O rubro ourado das manhãs de auroras;
As gameleiras, laranjeiras e as alterosas;
Mas não me tirem o meu amor,
Pois sem ele, ai de mim! Não sobrevivo:
Sem ele sou apenas um grão de trigo!
Tirem-me, dos céus, os astros e os planetas,
Os cometas, as galáxias e o meu coração;
O meu juízo e o pouco da minha razão;
Mas não me tirem o meu amor,
Pois sem ele minha casa é cinza e feia:
Sem ele sou apenas um grão de areia!
Tirem-me a poesia e todo o meu mundo;
As baunilhas e as hortelãs silvestres;
Que nunca mais raie a abóbada celeste!...
Mas não me tirem o meu amor,
Pois sem ele não sou homem, sou lodo:
Sem ele... Sem ele... Eu morro!
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